Agropecuária apresenta estudo para desmatar 5,9 mil hectares do Pantanal

O objetivo é a implantação de pastagem para atender à demanda alimentar do rebanho bovino

| LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS


Área da Fazenda Santana a ser desmatada para a implantação de pasto. (Foto: Reprodução)

Uma agropecuária especializada na criação de bovinos para corte apresentou este ano ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) um RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) para o desmate de 5,9 mil hectares do Pantanal para a implantação de pecuária. O estudo antecede qualquer autorização, mas é necessário caso o plano seja licenciado pelo órgão. A área equivale a 8 mil campos de futebol padrão Fifa.

A área em questão fica em Corumbá, na Fazenda Santana, que pertence à Agropecuária Guaxuma, de Iguatemi. Segundo o RIMA, a principal atividade da propriedade é a criação extensiva de bovinos, sendo a supressão vegetal necessária para “atender à demanda alimentar do rebanho, sendo tecnicamente viável e ambientalmente admissível, desde que executada em conformidade com as premissas, condicionantes e medidas mitigadoras estabelecidas neste estudo'.

O relatório defende ainda que a pecuária de corte é atividade estratégica na economia do Estado e a não ampliação da área de pasto reduziria oportunidades de emprego e renda, bem como a arrecadação tributária. Segundo o estudo apresentado ao Imasul, é possível produzir sistemas mais intensivos, eficientes e sustentáveis.

Foi feito levantamento de toda fauna terrestre, aquática e aérea, bem como tipos de solo, hidrografia, geologia, entre outros. Com base nisso, foi feita análise de impactos ambientais e suas possíveis compensações. O próprio estudo avalia que só há vantagens no aspecto socioeconômico, mas em caráter ambiental, é negativo.

Nesse sentido, uma das ações propostas para evitar erosões e assoreamento é realizar o desmate em períodos de seca, “uma vez que o período chuvoso é de reprodução de boa parte da fauna', e implantar um Programa de Controle de Processos Erosivos.

Pesquisas da reportagem junto a publicações oficiais não identificaram a emissão de nenhuma licença para a supressão até o momento.

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