Merendeira de MS ensina torta premiada de mandioca sem glúten

A repercussão surpreendeu a merendeira Carme, que não imaginava chegar à final nem a fama depois dele

| NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS


Depois de prêmio, merendeira de MS ensina torta de mandioca sem glúten (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de ver a torta de mandioca sem glúten ganhar reconhecimento nacional, Carme Albertina Ferronatto Zorzanello compartilhou com o Lado B a receita deu a ela quase 900 votos e o título de melhor merendeira de Mato Grosso do Sul.  Em Iguatemi foram dias para tentar acertar a proporção de ingredientes e deixar a torta perfeita. Hoje a gente te mostra como fazer ela em casa e parar de passar vontade.

Massa

  • 500 g de mandioca crua e picada
  • 3 ovos
  • 50 g de manteiga
  • 120 ml de leite
  • 10 g de sal
  • 100 g de queijo muçarela ralado
  • 15 g de fermento em pó químico

Recheio

  • 300 g de peito de frango
  • Louro a gosto
  • Alecrim a gosto
  • 50 ml de óleo
  • 50 g de alho
  • 100 g de cebola
  • 100 g de milho verde
  • 100 g de cenoura
  • 100 g de tomate
  • 100 g de vagem, ou talos de couve como alternativa
  • Cheiro-verde a gosto
  • Ora-pro-nóbis a gosto

Finalização

  • 200 g de queijo muçarela ralado
  • Orégano a gosto

A ideia de Carme era fazer algo que valorizasse a agricultura familiar. Para preparar a torta, comece pela massa. Bata no liquidificador a mandioca crua e picada, os ovos, a manteiga, o leite e o sal até formar uma mistura bem homogênea. Em seguida, acrescente 100 gramas de queijo muçarela ralado e misture novamente. O fermento em pó deve ser colocado por último, mexendo com cuidado, apenas para incorporar.

Enquanto a massa descansa por alguns minutos, prepare o recheio. Cozinhe o peito de frango com louro e alecrim a gosto. Depois de cozido, escorra e corte o frango em pedaços pequenos. Em uma panela, aqueça o óleo e refogue o alho e a cebola. Na sequência, acrescente o milho verde, a cenoura, o tomate e a vagem, ou os talos de couve, caso prefira a substituição. Junte o frango ao refogado e misture bem.

Com o fogo já desligado, acrescente o cheiro-verde e a ora-pro-nóbis, deixando que o calor da panela murche levemente as folhas. Para montar, unte uma travessa com manteiga e coloque uma parte da massa no fundo. Depois, espalhe o recheio por cima e cubra com o restante da massa.

Finalize com os 200 gramas restantes de queijo muçarela ralado e orégano a gosto. Leve ao forno preaquecido a 250 °C por aproximadamente 30 minutos, ou até a massa assar e a superfície ficar dourada.

A repercussão surpreendeu a merendeira. Ela não imaginava chegar à final e muito menos ver uma receita feita no interior de Mato Grosso do Sul ganhar espaço em uma disputa nacional. Entre os inscritos das redes estaduais, Carme ficou em 3º lugar. Ao todo, 136 preparações finalistas participaram da votação popular, realizada entre 15 e 30 de maio.

O reconhecimento também terá retorno para a escola. Além do prêmio de R$ 5 mil para a merendeira, a Escola Estadual 8 de Maio receberá R$ 8 mil para compra de equipamentos ou melhorias na cozinha escolar. A cerimônia de premiação está marcada para 23 de junho, em Brasília, durante o Prêmio PNAE 2026.

Mas a história de Carme com a comida começou bem antes do concurso. Ela trabalha na alimentação escolar desde 2000, em Iguatemi, mas aprendeu a cozinhar ainda menina, criada no campo ao lado de seis irmãos. A cozinha, primeiro, veio como necessidade da vida na roça. Depois, virou habilidade, afeto e profissão.

A principal professora foi a mãe, já falecida. Foi com ela que Carme aprendeu os primeiros preparos e a relação de cuidado com o alimento. Essa memória aparece no jeito como ela fala da merenda, mais como responsabilidade diária do que como simples execução de cardápio.

Depois do casamento, em 1993, Carme se mudou definitivamente para Iguatemi. Anos depois, encontrou na cozinha da escola uma forma de manter viva essa ligação com a comida e, ao mesmo tempo, servir a comunidade. Incentivada por colegas de trabalho, decidiu inscrever a receita no concurso.

O diretor da escola, Vilson Jorge Dallabrida, resume essa relação como uma herança afetiva. “A senhora Carme tem uma relação afetiva com a confecção dos alimentos, pois herdou esse dom de sua falecida mãe, em uma história cheia de memórias e afetividade', disse.

A torta de mandioca, no fim, virou mais do que uma receita vencedora. É o retrato de uma cozinha escolar que também pode ter identidade, memória e técnica. E, no caso de Carme, uma prova bem concreta de que merenda boa não nasce só de cardápio. Nasce de mão treinada, olho atento e respeito pelo que chega ao prato dos alunos.

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