Abelhas que não picam, mas fazem falta, mobilizam defensores

Encontro reuniu criadores e pesquisadores para incentivar a preservação das abelhas sem ferrão

| SOFIA LUPAES / CAMPO GRANDE NEWS


Doces, caixas e xaropes estavam à venda. (Foto: Osmar Veiga)

Pequenas, sem ferrão e fundamentais para a natureza, as abelhas nativas ganharam um encontro só para elas em Campo Grande. No sábado (31), criadores, pesquisadores e curiosos se reuniram no Parque das Nações Indígenas para falar sobre a importância desses insetos, que ajudam a manter a biodiversidade, mas enfrentam dificuldades para sobreviver às mudanças do clima.

A 1ª Jornada de Meliponicultura de Mato Grosso do Sul foi organizada pelo agrônomo francês Olivier Vilpoux, no Centro Estadual de Educação Ambiental. O encontro reuniu quatro expositores de diferentes tipos de mel natural e caixas para colmeias, além de palestras sobre a criação e preservação das abelhas sem ferrão.

“O primeiro objetivo é agregar as pessoas que se interessam por abelhas sem ferrão. Que se interessam pela criação, preservação e pelo papel que elas têm com a biodiversidade e a polinização das árvores, da flora nativa e agrícola', explica o agrônomo.

Olivier também quer despertar o interesse de estudantes de escolas e universidades. A ideia é incentivar a criação e a multiplicação dessas abelhas, que, segundo ele, estão cada vez mais escassas diante das variações do clima em Mato Grosso do Sul.

A Associação de Meliponicultura do MS foi fundada por Olivier há 1 ano, que veio com minicursos em universidades, palestras em escolas e agora o evento no Parque das Nações, atraindo pessoas que desconhecem o assunto.

Na Jornada, ocorrem dois cursos. “Um é para iniciantes, para aprender a fazer uma isca, como funciona uma caixa de abelha, como se cria abelha. Um curso de base', explica. O outro é uma roda de conversa, cada um dura 2 horas.

Um dos fatores ensinados no curso é o processo de pegar abelhas da natureza com uma isca. Isso precisa ser feito porque as abelhas sem ferrão devem ser preservadas e muitas vezes são roubadas para venda ilegal se ficam soltas.

A isca é feita por meio de uma mistura dentro de uma garrafa PET, que atrai as abelhas, facilitando o transporte para um criadouro legalizado.

Olivier destaca a importância da preservação das abelhas. “O interessante é porque hoje a maior parte das plantas, das árvores, para se reproduzir precisa de polinização. A agricultura também, muitas produção agrícola, se você não tem abelha ou não tem polinizador, você não produz nada', o que vale para todos os tipos de abelha.

O agrônomo explica que as abelhas com ferrão são importadas de lugares como o continente africano e Itália. Já as sem ferrão são brasileiras. “Elas são mais especializadas, aguentam melhor o clima. São mais especializadas com as plantas que tem aqui na região'.

Atualmente, Olivier cria 100 caixas de colmeias na Chácara dos Poderes, com cerca de 200 a 300 abelhas, mas pretende expandir. O problema é que o clima do estado dificulta a reprodução dos insetos.

O evento também contou com degustação de méis puros, das abelhas Borá, Jataí e Mandaçaia. Todas sem ferrão e raras.

Uma das expositoras foi Raquel Vendrasco, sommelier de mel e criadora da marca Vendrasco Abelhas, que veio de São Paulo (SP) e pretende trazer sua marca para Campo Grande. “A gente tentou trazer nessa linha produtos que vocês encontram nas prateleiras dos supermercados, porém, tirando totalmente o açúcar e substituindo por mel', explica.

Entre os produtos, estão mel, favos de mel, molhos, doces no pote e xaropes. Mas o que se destaca é o mel da abelha sem ferrão Tiúbia, cujo mel tem o gosto diferente dependendo do estado do Brasil de onde a abelha vem.

“O mel, que ele vai ter um gostinho de frutas tropicais. Mas não é só frutas não. Tem mel com gosto floral, com gosto achocolatado, até com gosto de chuchu, de queijo. Então, cada abelhinha ali, conforme a espécie e a florada local, vai produzir um mel diferente', explica Raquel.

Olivier planeja um congresso de criadores de abelhas em novembro de 2026, sempre visando à preservação do animal e a buscar interessados. Se você tem interesse no assunto e quer saber dos próximos cursos, as informações vão estar no Instagram @amemsoficial.

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