Estiagem prolongada muda hábitos e coloca hidratação no centro dos cuidados
Com umidade em até 12% e chuva distante, pediatra orienta hidratação e atenção aos sintomas na infância
| KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
O calor continua forte em Mato Grosso do Sul neste domingo (16), com temperaturas que podem chegar a 41°C e umidade relativa do ar em níveis críticos, de até 12%. Sem previsão de chuva significativa nos próximos dias, o período de estiagem mantém o alerta para problemas respiratórios, principalmente entre crianças.
A última chuva registrada em Campo Grande aconteceu na quarta-feira (11), acompanhada de fortes ventos, mas o cenário voltou a ser de tempo firme e seco. Segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), a possibilidade de chuva aparece apenas a partir do dia 23.
O quadro é favorecido por um sistema de alta pressão atmosférica, que mantém o sol predominando e reduz a formação de nuvens. Em Campo Grande, a manhã começou com 22,8°C e a máxima pode chegar a 38°C. Em outras regiões, os termômetros podem alcançar 41°C em Coxim e 40°C em Corumbá.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mantém alerta laranja de perigo para a região central e norte do Estado. Entre 12h e 18h, a umidade pode variar entre 20% e 12%, aumentando o risco de incêndios e agravando sintomas como irritação nos olhos, ressecamento das vias respiratórias e crises alérgicas.
Para as crianças, o cuidado precisa ser redobrado. A pediatra Camilla Dias, docente do curso de pós-graduação em Pediatria da Afya, explica que a baixa umidade favorece o ressecamento das mucosas e pode facilitar o surgimento de desconfortos respiratórios.
“Nos bebês menores, que ainda mamam no peito ou usam fórmula, a oferta do leite deve ser intensificada ao longo do dia. Uma das formas de os pais verificarem se a criança está bem hidratada é observar a fralda: se a urina estiver clara e em bom volume, é um sinal de que o organismo está equilibrado', orienta.
Para crianças maiores, a recomendação é manter água sempre por perto e apostar também em alimentos ricos em líquido, como melancia e melão. Com o ar seco, muitos pais recorrem aos umidificadores para aliviar o desconforto, mas o uso incorreto pode criar outro problema: o excesso de umidade dentro de casa.
“O umidificador nunca deve ficar encostado em móveis, paredes ou superfícies estofadas. A distância mínima recomendada é de um metro, para evitar o acúmulo de umidade, que favorece a proliferação de mofo, fungos e ácaros, prejudiciais principalmente para quem tem alergias', alerta a médica.
Durante a noite - “Não é indicado deixá-lo ligado a noite inteira em um quarto totalmente fechado. Se o aparelho for utilizado durante a madrugada, a orientação é manter a porta do cômodo aberta para permitir a circulação do ar', explica.
Outro hábito simples pode ajudar a reduzir os efeitos da estiagem: a lavagem nasal com soro fisiológico. “A lavagem nasal diária ajuda a remover impurezas, previne sangramentos e reduz a irritação das vias aéreas. Também contribui para proteger a criança durante as atividades ao ar livre, especialmente nos horários de calor mais intenso', afirma Camilla.
Enquanto a chuva não chega, a orientação é evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes, reforçar a ingestão de líquidos e manter atenção especial com bebês, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
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