Mãe decide parar de fumar e mostra por que procura por ajuda dobrou na Capital
Fumantes buscam ajuda, mas abandono do tratamento antes de 6 meses preocupa a Sesau
| GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS
Após 16 anos como fumante, Cynthya Pinheiro, de 27 anos, decidiu iniciar o tratamento contra o tabagismo. Ela está entre as 8.477 pessoas que procuraram uma unidade de saúde em Campo Grande em busca de apoio para parar de fumar.
Gerente de comunicação, ela conta que começou a fumar ainda jovem, influenciada por amigos. A decisão de abandonar o hábito veio ao pensar na filha, de 10 anos. “Eu não queria prejudicar ou influenciar a minha filha. Achei que não combinava mais com quem eu quero ser', explica.
O tratamento começou após consulta com clínico geral em uma unidade de saúde. No dia 4 de maio, ela viu um aviso sobre o programa. “É a primeira vez que faço esse tratamento. Eu nem sabia que existia isso no SUS', relata.
Os encontros, inicialmente semanais, passaram a ser quinzenais após o primeiro mês. Segundo Cynthya, o acompanhamento é multidisciplinar. “Eles acompanham de perto, em todas as áreas, inclusive com nutricionista e psicólogo', afirma.
Apesar do suporte, ela destaca que o processo exige persistência e apoio. “É bem difícil, há recaídas, mas o grupo dá um incentivo muito grande para continuar tentando', diz.
Desde 2022, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) registra aumento no número de atendimentos a pessoas tabagistas. Naquele ano, foram 4.096 acompanhamentos. Em 2025, o número chegou a 8.477, praticamente o dobro.
De acordo com a secretaria, o crescimento está ligado à ampliação da rede de atendimento. “No primeiro quadrimestre de 2026, 255 pessoas participaram dos grupos de abstinência ao tabaco, frente a 136 no mesmo período de 2025', informa.
Dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) de 2023 indicam que a prevalência de fumantes na população adulta de Campo Grande é de 12,5%.
Já o perfil dos pacientes atendidos nos quatro primeiros meses deste ano aponta que 62% são mulheres, 59% se autodeclaram pretos ou pardos e 72% têm mais de 40 anos. O levantamento também mostra que 66% dos fumantes que buscaram tratamento utilizaram medicamentos como apoio, enquanto 77% apresentaram fatores de risco associados.
Apesar do aumento na procura, a permanência no tratamento ainda é um desafio. O protocolo prevê 16 encontros, com maior intensidade nos primeiros meses. A taxa de adesão inicial é de 58%, mas cai ao longo do acompanhamento, chegando a 33% no sexto mês.
“Outro desafio é a crescente experimentação de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens. Diante disso, o município reforça ações de educação em saúde, conscientização sobre os riscos da dependência de nicotina e articulação entre os setores de saúde e educação, com foco na prevenção e promoção de hábitos saudáveis', destaca a Sesau.
Para participar do programa, é necessário procurar uma USF (Unidade de Saúde da Família), onde é feito o encaminhamento. Atualmente, mais de 35 unidades na Capital estão capacitadas para oferecer o tratamento.
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