Morre aos 69 anos o escritor e poeta Guimarães Rocha

Defensor da literatura sul-mato-grossense morreu após meses de luta contra uma doença rara

| NATáLIA OLLIVER E THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS


Poeta morreu aos 69 anos, em Campo Grande (Foto: Arquivo pessoal)

O escritor e poeta Guimarães Rocha, um dos nomes mais importantes da literatura sul-mato-grossense, morreu na madrugada desta quinta-feira (11), aos 69 anos. Membro fundador da UBE-MS (União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul) e ocupante da cadeira número 4 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, ele estava internado havia alguns dias em um hospital particular de Campo Grande e enfrentava uma amiloidose, doença rara que provoca o acúmulo de proteínas anormais em órgãos e tecidos do corpo, comprometendo seu funcionamento.

Segundo o genro, o advogado Rafael Almeida, o diagnóstico veio há algum tempo e a doença foi avançando, apesar do tratamento. Nos últimos meses, o estado de saúde se agravou. 'Ele lutou bravamente com a doença. Nunca reclamou', resume.

Nascido no Ceará, Guimarães chegou a Mato Grosso do Sul na década de 1970, como tantos nordestinos que buscavam novas oportunidades. Viveu em Vicentina, passou por Dourados e se estabeleceu em Campo Grande no início dos anos 1980. Ingressou na Polícia Militar como soldado e, segundo a família, construiu a carreira sempre pelo mérito e pelo esforço, chegando ao posto de tenente-coronel da reserva.

Mas a farda nunca limitou o poeta. Também foi professor de Literatura Brasileira, escritor, compositor e um apaixonado pela cultura regional. Ao longo da vida publicou dezenas de livros, lançou discos, participou de projetos musicais e ajudou a fortalecer a literatura produzida em Mato Grosso do Sul.

Para Rafael, no entanto, o legado mais importante não está apenas na obra.

'O meu sogro é um exemplo em todos os aspectos. Foi um homem simples. O cearense que chegou em Mato Grosso do Sul na década de 70 em busca de novas perspectivas. Não tinha nada que ele acreditasse ser impossível. O 'não' nunca existiu para ele', conta.

Essa simplicidade, segundo a família, era a marca de Guimarães. A casa dele era um ponto de encontro permanente para filhos, noras, genros, sobrinhos e amigos.

'A casa dele era um porto seguro. Era uma casa que acolhia, essa é a principal marca do Guimarães', diz Rafael.

Homem de fé, ele fazia questão de ensinar princípios e valores e tinha uma relação muito firme com a honestidade. 'A honra, para ele, era inegociável', lembra o genro.

Mesmo nos momentos mais comuns, a poesia aparecia. Rafael conta que era comum um almoço de domingo ser interrompido por uma declamação inesperada.

'Era aquele poeta que, às vezes, a gente estava em um almoço de domingo e, do nada, saía um poema declamado e todo mundo se emocionava.'

O amor pela cultura também ultrapassava a própria obra. Grande conhecedor da produção regional, Guimarães fazia questão de valorizar artistas locais e defendia a literatura sul-mato-grossense com orgulho. 'Era um cara bairrista. Queria ver a literatura do nosso Estado ocupando o espaço que ela merece.'

Sua produção transitou entre a palavra escrita, a música e a oralidade. Em 2001, lançou a Coleção Recorde Guimarães Rocha, composta por 15 livros. Também registrou trabalhos poético-musicais, como o CD Encanto, e, em 2021, transformou seis poemas em forró e baião no EP Nosso Amor, em parceria com o Trio Malaquias.

Ao longo da carreira, escreveu mais de 20 livros, teve músicas gravadas por artistas sul-mato-grossenses e percorreu diversos municípios levando a poesia para além das páginas.

Guimarães deixa a esposa Rosa, com quem viveu décadas de amor, e 4 filhos.

O velório começa nesta quinta-feira (11) às 17h no Cemitério Jardim das Palmeiras que fica na Avenida Tamandaré, 6934. O sepultamento está previsto para sexta-feira (12) às 10h

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