Com chuva em alta, Campo Grande tem o ar mais limpo dos últimos seis anos
Todos os dias monitorados ficaram na classificação boa, cenário diferente do registrado em 2024
| INARA SILVA / CAMPO GRANDE NEWS
O céu cinza e o sol alaranjado pela fumaça marcaram dias de 2024 em Campo Grande. Dois anos depois, o monitoramento mostra um cenário diferente: até 28 de setembro, a qualidade do ar permaneceu na classificação boa em todos os dias de 2026.
Segundo o professor do Instituto de Física da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e coordenador da QualiAR (Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar), Widinei Alves Fernandes, a Capital tem, até agora, o ar mais limpo dos últimos seis anos.
O pesquisador atribui o resultado à frequência e à distribuição das chuvas na região e no Norte do Brasil, que têm ajudado a limpar a atmosfera. Mesmo nos períodos de ventos fortes, quando as concentrações de poluentes sobem um pouco, os aumentos têm sido breves e sem gravidade, conforme sua avaliação.
“Em 2026, não tivemos nenhum dia fora da condição boa', afirma Widinei.
O resultado contrasta com o de 2024, quando o monitoramento registrou 51 dias fora dessa classificação, sendo 29 com qualidade moderada, 12 ruins, 10 muito ruins e um em péssima condição. Em setembro de 2024, por exemplo, a Capital chegou a ter o céu totalmente cinza e com sol alaranjado em pleno dia.
O fenômeno ocorreu em decorrência da camada de poluição e da fumaça, partículas de dióxido de carbono da queima de matéria orgânica nos incêndios florestais que na época aconteciam na Amazônia e na Bolívia. Naquele ano, foi o maior número de dias nas categorias apresentadas pelo levantamento entre 2021 e 2025.
Em 2021, foram cinco dias de qualidade moderada e um de qualidade muito ruim. No ano seguinte, houve sete dias na condição moderada, um na ruim e dois na muito ruim. Em 2023, o monitoramento apontou 25 dias de qualidade moderada e três de qualidade ruim.
Já em 2025, foram registrados apenas quatro dias na classificação moderada, sem ocorrências nas categorias ruim, muito ruim ou péssima. Os números de 2021 a 2025 correspondem aos balanços dos anos completos. Os de 2026 são parciais e abrangem o período até 28 de setembro.
Chuva acumulada - O levantamento de precipitação em Campo Grande mostra que, até essa mesma data, a cidade acumulou 1.663 milímetros de chuva em 2026. O volume já supera os totais anuais de 2021, de 1.587,8 milímetros; de 2022, de 1.609,2 milímetros; e de 2024, de 947,8 milímetros.
O menor acumulado da série foi registrado justamente em 2024, ano que também concentrou mais dias fora da classificação boa de qualidade do ar. Em 2023, choveu 1.806,8 milímetros. O maior total foi o de 2025, com 1.977,8 milímetros.
Além do volume, Widinei destaca a distribuição das chuvas como um fator para a condição observada neste ano. O balanço de 2026 continua aberto, pois faltam os últimos dias de setembro e os meses de outubro, novembro e dezembro.
Preocupação com 2027 - Apesar do panorama favorável até agora, o coordenador da QualiAR manifesta preocupação com a possibilidade de a fumaça de queimadas voltar a atingir Campo Grande no próximo ano. Segundo ele, o El Niño pode aumentar as queimadas na Região Norte, na Amazônia e em parte de Mato Grosso. Nesse cenário, a fumaça poderia alcançar a capital sul-mato-grossense, como ocorreu em 2024, conforme o pesquisador.
A possibilidade, porém, não representa uma previsão confirmada de piora da qualidade do ar em 2027. Questionado sobre uma eventual redução das chuvas em Mato Grosso do Sul por influência do fenômeno, Widinei afirma que os efeitos para a região ainda são incertos.
“O El Niño não tem sinais claros na nossa região. Pode afetar, mas ainda é difícil afirmar', explica.
Se quiser receber notícias do Site MS NEWS via WhatsApp gratuitamente ENTRE AQUI . Lembramos que você precisa salvar nosso número na agenda do seu celular.











